Microagulhamento é procedimento médico

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Microagulhamento é procedimento médico

O Microagulhamento é sem dúvida o maior aliado da estética nos últimos tempos. E digo isto com a certeza de que, mesmo num mundo super tecnológico, cheio de lasers e luzes especiais, este tratamento é uma tendência mundial.

Congressos voltados à Dermatologia mundo afora destacam os bons resultados desta técnica, ressaltando melhora significativa no combate ao envelhecimento da pele, correção de estrias e cicatrizes, estimulação de colágeno, entre outras indicações. Em Dezembro passado, estive no 2o Congresso Nacional de Medicina Estética, realizado pela Sociedade Portuguesa de Medicina Estética, da qual sou membro, e o tema Microagulhamento foi vigorosamente explorado, novas técnicas foram demonstradas, no entanto o mais interessante foram os relatos dos colegas sobre os resultados reais da aplicação desta técnica em seus pacientes.

Antes de contar um pouco sobre no que consiste esta técnica, começo com um alerta. Fique atento! Trata-se de um procedimento médico, passível de complicações, como qualquer outro.

E por que eu gosto sempre de frisar isto logo no início? Porque é preciso diferenciar, com a devida cautela, o Microagulhamento feito livremente por profissionais da estética do procedimento realizado pelo médico. Ambos estão sujeitos a alguma complicação, como, por exemplo, infecções, já que expõem a pele aos agentes externos. A diferença está no material utilizado e nos cuidados pós tratamento.

O Microagulhamento pode ser realizado de dois modos, usando um aparelho manual chamado Dermaroller ou um aparelho automático chamado DermaPen. Estes instrumentos DESCARTÁVEIS são rolos encravados por, aproximadamente, 190 micro agulhas muito finas, inoxidáveis, estéreis, posicionadas em fileiras de maneira simétrica.

Os médicos habilitados para executar a técnica utilizam agulhas maiores, de modo que a perfuração na pele do paciente é mais profunda, sendo esta a maior diferença quando falamos de Microagulhamento realizado por profissional não médico.

Os cuidados pós procedimento também podem envolver a prescrição de cremes e, no caso de complicações, até mesmo de antibióticos.

Minha preocupação, quando falamos de Microagulhamento, tem fundamento. No meu dia-a-dia, recebo alguns pacientes que fizeram o procedimento em locais inadequados, sem cuidados específicos e ganharam cicatrizes muito significativas. Pior, já houve casos de pacientes que compraram um produto similar pela internet e, sem dominar a técnica, fizeram o procedimento em si próprios, com lesões e infecções complicadas.

Por isso, preceito básico: Microagulhamento deve ser realizado por médicos.
E como é feito o procedimento?

O procedimento deve ser realizado em consultório médico, mediante assepsia e cuidados de biossegurança esperados de todo procedimento cirúrgico. Além disso, a técnica exige o uso de creme anestésico tópico por oclusão ou de anestesia local injetável, a depender do caso.

Todos estes cuidados, além da habilidade técnica do profissional, servem para minimizar os riscos de complicações, que, se houverem, precisam ser tratadas desde logo. O médico deverá orientar o paciente sobre todos os cuidados após o procedimento, inclusive quanto ao que não é esperado ocorrer.

De modo geral, é um procedimento tranquilo. Garantir que seja completamente indolor é algo mais difícil, pois cada pessoa reage de um modo diferente aos estímulos das agulhas.

O procedimento dura em torno de meia hora, embora isto possa variar, conforme a área a ser tratada. O paciente não sai do consultório com sangue a mostra, apenas com uma leve vermelhidão e a recuperação é rápida, bem como o retorno ao trabalho.

Quais os resultados esperados?

O Microagulhamento é indicado, principalmente, para tratar:

  • Manchas de pele (como o melasma, por exemplo)
  • Cicatrizes de em geral (acne, pós cirúrgicas, pós cesárea, pós acidente, catapora)
  • Queimaduras
  • Estrias
  • Calvície
  • Flacidez e envelhecimento da pele (rugas finas e profundas)

Os resultados obtidos podem ser surpreendentes, especialmente quando o Microagulhamento for bem indicado e realizado por profissionais experientes, chegando a superar tratamentos convencionais, tratamentos com laser e luzes.

É importante ressaltar que bons resultados dificilmente aparecem em apenas uma sessão. Estamos falando de um tratamento a médio prazo, que demanda algumas sessões, a critério médico.

Há algumas semanas, apenas como curiosidade, um paciente chegou ao consultório com a queixa de calvície. Estava cansado de usar shampoos e ver pouco resultado. Sugeri o tratamento combinado de Microagulhamento com Mesoterapia Capilar (assunto para um próximo artigo) e após 3 sessões, pudemos ver juntos, através do exame de Dermatoscopia Digital realizado durante a consulta, o couro cabeludo repilando. Isto para dizer que, cada tratamento, demanda uma atenção específica. Por isso, sempre duvide de quem lhe protemer milagres a curto prazo.

E há contraindicações?

São poucas, mas há e somente o médico saberá avaliar cada caso individual. Vou citar alguns exemplos.

Antes de iniciar o procedimento, é importante avaliar a área a ser tratada. Se há, por exemplo, uma lesão suspeita de câncer de pele, jamais devemos fazer o procedimento sem antes cuidar da lesão. Em outras palavras, jamais passar as agulhas sobre um câncer de pele, uma pinta suspeita, uma infecção.

Outra contraindicação comum é o paciente portador de Diabetes não controlada, além de pacientes portadores de algumas doenças autoimune ou em tratamento de radio/quimioterapia.

No entanto, a contraindicação mais frequente são os pacientes que chegam ao consultório com acne ativa, ou seja com muitos cravos e espinhas inflamadas, Nestes casos, é essencial iniciar o tratamento da acne o quanto antes e, depois de controlada, fazer o Microagulhamento para cuidar da textura da pele e das eventuais cicatrizes.

Dr. Rogerio Angelucci
Dr. Rogerio Angelucci
Dermatologista - CRM 125.156/SP

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